segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Das expectativas e das frustrações que elas trazem



Expectativas são as piores. Em um mundo ideal e onde nós próprios pudéssemos ser donos dos roteiros de nossas vidas tudo seria mais fácil e, de quebra, faria sentido (pelo menos para nós, os senhores dos nossos destinos). Não falo de necessariamente ter o poder de controlar eventos mundiais, ou locais, como conquistar a paz mundial ou apenas ganhar na loteria. Isso seria querer muito, vá lá. Mas dava para, pelo menos, os diálogos das nossas vidas conseguirem correr de acordo com o que a gente pensa? A quantidade de problemas que seriam resolvidos se todo o ensaio feito antes de discussões, de propostas, de acontecimentos em geral, é inimaginável.

O engraçado é que a gente sempre esquece que existe o outro lado. Que as chances das coisas acontecerem de acordo com o que queremos estão comprometidas desde o início, quando existe uma segunda pessoa na história. A revolta maior, às vezes maior que o catastrófico resultado em si, é a da falta de correspondência dos nossos diálogos imaginários com os diálogos reais, aqueles que realmente contam. Às vezes são dias que passamos trabalhando para “A conversa”. Com o namorado, com os pais, com o chefe. Tudo é tão claro, tudo é tão certo. Eu consigo me lembrar de todas as vezes em que mentalizei o que falava, o que eu ouvia em troca, até inventava situações em que as coisas dariam errado de uma certa forma. Mas no fim, no fim mesmo, eu conseguia ter a resposta final e tudo acabaria bem. O namorado me dava razão, meus pais me presenteavam com uma mesada, o chefe parava de me encher o saco.

Mas, infelizmente, me lembro de como as conversas acabaram acontecendo de fato, várias em que já na primeira resposta todo o script foi por água abaixo e eu ficava procurando dentro de mim alguma improvisação que fosse. Nunca fui boa no ao vivo. É como naquele filme, 500 dias com ela, em que o carinha é convidado para uma festa pela ex-namorada-amor-de-sua-vida e a gente vê dividida na tela a expectativa e a realidade. Eu quase gritava no cinema: eu sinto a sua dor!

Ah, a (falta de) delícia das frustrações. Como seria bom viver com um script, em que as falas do papel correspondessem – talvez com pequenas alterações, tudo bem, pode ser – ao que a gente espera delas. Talvez a vida acabasse sendo uma obra-prima, aclamada pela crítica e pelo público. Mas também teria grandes chances de se tornar aquele tédio de filme que a gente pede para sair. Vai saber.