Expectativas são as piores. Em um mundo ideal e onde
nós próprios pudéssemos ser donos dos roteiros de nossas vidas tudo seria mais
fácil e, de quebra, faria sentido (pelo menos para nós, os senhores dos nossos
destinos). Não falo de necessariamente ter o poder de controlar eventos
mundiais, ou locais, como conquistar a paz mundial ou apenas ganhar na loteria.
Isso seria querer muito, vá lá. Mas dava para, pelo menos, os diálogos das
nossas vidas conseguirem correr de acordo com o que a gente pensa? A quantidade
de problemas que seriam resolvidos se todo o ensaio feito antes de discussões,
de propostas, de acontecimentos em geral, é inimaginável.
O engraçado é que a gente sempre esquece que existe
o outro lado. Que as chances das coisas acontecerem de acordo com o que
queremos estão comprometidas desde o início, quando existe uma segunda pessoa
na história. A revolta maior, às vezes maior que o catastrófico resultado em
si, é a da falta de correspondência dos nossos diálogos imaginários com os diálogos
reais, aqueles que realmente contam. Às vezes são dias que passamos trabalhando
para “A conversa”. Com o namorado, com os pais, com o chefe. Tudo é tão claro,
tudo é tão certo. Eu consigo me lembrar de todas as vezes em que mentalizei o
que falava, o que eu ouvia em troca, até inventava situações em que as coisas dariam
errado de uma certa forma. Mas no fim, no fim mesmo, eu conseguia ter a
resposta final e tudo acabaria bem. O namorado me dava razão, meus pais me
presenteavam com uma mesada, o chefe parava de me encher o saco.
Mas, infelizmente, me lembro de como as conversas
acabaram acontecendo de fato, várias em que já na primeira resposta todo o
script foi por água abaixo e eu ficava procurando dentro de mim alguma
improvisação que fosse. Nunca fui boa no ao vivo. É como naquele filme, 500
dias com ela, em que o carinha é convidado para uma festa pela
ex-namorada-amor-de-sua-vida e a gente vê dividida na tela a expectativa e a
realidade. Eu quase gritava no cinema: eu sinto a sua dor!
Ah, a (falta de) delícia das frustrações. Como
seria bom viver com um script, em que as falas do papel correspondessem –
talvez com pequenas alterações, tudo bem, pode ser – ao que a gente espera
delas. Talvez a vida acabasse sendo uma obra-prima, aclamada pela crítica e
pelo público. Mas também teria grandes chances de se tornar aquele tédio de
filme que a gente pede para sair. Vai saber.