Na primeira vez em que assisti As
Pontes de Maddison, eu lembro de ter ficado meio inconformada. Acho que com o
rumo das coisas acabou me deprimindo e fazendo com que meu eu adolescente
ficasse insatisfeito em ver a perpetuação de uma vida tão triste, incompleta e
que deixava a desejar, como era a da personagem de Meryl Streep, Francesca.
No comecinho do filme, eu nem
lembrava, a gente tem os filhos dela recebendo instruções de testamento e acabam
encontrando diários relatando um momento da vida dela que desconheciam por
completo, que foi quando o personagem de Clint Eastwood, Robert Kincaid, passou
por sua vida. A gente vai acompanhando a história junto com os filhos e tenta
entender o começo e o fim desse caso de amor. (essa parte dos filhos é mais
chatinha e descartável, meio que interrompendo a magnitude toda da coisa, não
sei).
A gente logo entende que foi um
romance bem real e promissor, ao mesmo tempo que passageiro e duradouro. Francesca,
uma dona de casa que mora sabe deus onde num interiorzinho e que tem sua vida
apagada e ausente de vontades em favor de dois filhos já crescidos e seu
marido. Entra em sua vida, bem avassalador, completamente encantador, exatamente
no tempo em que sua família faz uma breve viagem e ela fica em casa só, o
personagem de Eastwood, um fotógrafo meio perdido que procurava as tais pontes
de Maddison do título. Como boa pessoa que é, e com o início de uma curiosidade
que vai crescendo ao longo do filme, Francesca o ajuda a encontrar seu caminho
e os dois iniciam uma amizade que vai se aprofundando rápida e naturalmente.
É fascinante assistir à
personagem de Meryl Streep, deixando transparecer
uma eterna e meio que ingênua, até infantil, vontade de vivenciar, ainda que por contos, a vida daquele homem que
mal conhece unida a um sentimento de culpa por, ainda que negue para ele e para
si mesma, sentir-se infeliz com a vida que tem. Os olhos dela brilham a cada
palavra de Eastwood, desejando desesperadamente sair daquela cidadezinha sem
nada e se teletransportar para todos os lugares visitados por ele, de ter
aquela liberdade, aquela falta de compromisso e obrigações com a vida. Com o
tempo (que é bem curto) Francesca começa a criar outra ansiedade, agora em
relação ao significado daquilo tudo e o que seria dela.
É devastadora essa história, isso que é. O filme rasga o
coração da pessoa de diálogo em diálogo, destruindo ele pra todo o sempre com a
cena final dos dois. As atuações tanto de Meryl Streep quanto de Clint Eastwood
envolvem e convencem a cada argumento e cada sentimento destrinchado em tela. São
performances sutis e naturais. Parece uma dança, dos dois, desde o
momento em que ela se dá conta do que sente, ou talvez antes mesmo, durante
todas as suas inseguranças e incertezas, até o finalzinho. Tem algo nos dois
que tira o cliché da história, tira a melosidade, tira a ridícula perfeição de
uma história de amor e a transforma no perfeito romance imperfeito. E me vejo aceitando,
junto aos dois, tal romance como foi. Assim... um pouco indignada, como o meu
eu adolescente. Mas conformada, convencida. Em parte. Em parte.
Título original: The Bridges of Madison County
Diretor: Clint Eastwood
Baseado no livro de Robert James
Waller, Roteiro de Richard LaGravenese
Com: Clint Eastwood e Meryl Streep
IMDB diz que é um
drama/romance. Umrum, basicamente.
Quote: “This kind of certainty comes but just
once in a lifetime”.
Quote2: “The old dreams were good dreams; they
didn't work out, but glad I had them”.
Quote3: “I realized love won't obey our
expectations, it's mystery is pure and absolute”.
Quote4: “And in that moment, everything I knew
to be true about myself up until then was gone. I was acting like another
woman, yet I was more myself than ever before”.