25 de dezembro, êta data pra
trazer saudade de voinha. Evento religioso e especial de Roberto Carlos têm
disso, me fazem ter um certo apreço pela coisa, mesmo que eu nem vá tanto com a
cara assim. Memories, como diria Barbra Streisand.
Eu gosto quando chega o Natal.
Essa sempre foi uma certeza minha desde a infância. Mesmo com todos os
pormenores de complicações familiares, chatices religiosas, compras e feira de
última hora e diminuição gradual da quantidade de presentes.
Minha memória nunca me ajuda
quando eu paro pra pensar em tempos idos e momentos tantos que eu gostaria de
relembrar. Eu só sei que essa é uma data danada pra me fazer pensar na minha
vó, que tem dez anos que já se foi, mas que me faz marejar os olhos quando
penso nela toda vez.
Quando eu era pirraia, Natal era
sinônimo de brincadeira, disso eu me lembro. Existia um evento que eu sempre me
divertia (não sei se porque eu era pequena e abestalhada), chamado de "Festa
das Cajazeiras", uma espécie de teatrinho musicado e escrachado que minha
vó, as irmãs e outras velharias animadas faziam pra descontrair nessa época
natalina. Tinha também um auto natalino, com uma interpretação da noite do
nascimento de jesus, que minha tia-avó organizava pra celebrar o momento
religioso da data.
Não sei quando as cajazeiras
foram extintas do natal, acho que começou com a doença da minha vó ficando mais
pesada, mas eu lembro que essa data perdeu um pouco do significado pra mim. Foi
ficando mais triste, acho. A animação deu lugar maior a uma enfadonha cerimônia
religiosa que passou a ser uma tradição. Todo mundo lia umas frases de um
textinho que minha tia-vó fazia mencionando lemas de solidariedade e
confraternização, fora umas musiquinhas natalinas e religiosas falando de jesus
salvador. Acho que me surpreendi ao descobrir que senti falta dessa tradição
natalina quando minha tia-vó morreu. Era como se um ciclo tivesse sido
quebrado, depois de anos e anos com ela tocando no bandolim, completamente
comprometida com a missão de ser uma pessoa boa em terra.
Ciclos se vão e outros se vêm. E
o natal voltou a ser animado aqui por casa. Ele tá mais amor, mais feliz. Menos
confusões. Acho que a gente se ama mais, não sei. Tá mais leve, mais jovem,
apesar de todo mundo estar véi de guerra. Seja jogando videogame num ano, seja
fazendo guerra de arma de brinquedo na sala no outro, rola toda uma felicidade e uma
descontração.
Mas isso foi no dia 24. Hoje, 25,
nessa mazela de dia, entre os restos da ceia de ontem e a reabertura de presentes, eu fico por aqui pensando nos
natais remotos e num presente paralelo com minha vó ao meu lado. Será que as
pessoas, quando se vão, sabem da falta que fazem?