quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Que saudade de voinha nesse dia natalino

25 de dezembro, êta data pra trazer saudade de voinha. Evento religioso e especial de Roberto Carlos têm disso, me fazem ter um certo apreço pela coisa, mesmo que eu nem vá tanto com a cara assim. Memories, como diria Barbra Streisand.  

Eu gosto quando chega o Natal. Essa sempre foi uma certeza minha desde a infância. Mesmo com todos os pormenores de complicações familiares, chatices religiosas, compras e feira de última hora e diminuição gradual da quantidade de presentes.

Minha memória nunca me ajuda quando eu paro pra pensar em tempos idos e momentos tantos que eu gostaria de relembrar. Eu só sei que essa é uma data danada pra me fazer pensar na minha vó, que tem dez anos que já se foi, mas que me faz marejar os olhos quando penso nela toda vez. 

Quando eu era pirraia, Natal era sinônimo de brincadeira, disso eu me lembro. Existia um evento que eu sempre me divertia (não sei se porque eu era pequena e abestalhada), chamado de "Festa das Cajazeiras", uma espécie de teatrinho musicado e escrachado que minha vó, as irmãs e outras velharias animadas faziam pra descontrair nessa época natalina. Tinha também um auto natalino, com uma interpretação da noite do nascimento de jesus, que minha tia-avó organizava pra celebrar o momento religioso da data.

Não sei quando as cajazeiras foram extintas do natal, acho que começou com a doença da minha vó ficando mais pesada, mas eu lembro que essa data perdeu um pouco do significado pra mim. Foi ficando mais triste, acho. A animação deu lugar maior a uma enfadonha cerimônia religiosa que passou a ser uma tradição. Todo mundo lia umas frases de um textinho que minha tia-vó fazia mencionando lemas de solidariedade e confraternização, fora umas musiquinhas natalinas e religiosas falando de jesus salvador. Acho que me surpreendi ao descobrir que senti falta dessa tradição natalina quando minha tia-vó morreu. Era como se um ciclo tivesse sido quebrado, depois de anos e anos com ela tocando no bandolim, completamente comprometida com a missão de ser uma pessoa boa em terra.

Ciclos se vão e outros se vêm. E o natal voltou a ser animado aqui por casa. Ele tá mais amor, mais feliz. Menos confusões. Acho que a gente se ama mais, não sei. Tá mais leve, mais jovem, apesar de todo mundo estar véi de guerra. Seja jogando videogame num ano, seja fazendo guerra de arma de brinquedo na sala no outro, rola toda uma felicidade e uma descontração.

Mas isso foi no dia 24. Hoje, 25, nessa mazela de dia, entre os restos da ceia de ontem e a reabertura de presentes, eu fico por aqui pensando nos natais remotos e num presente paralelo com minha vó ao meu lado. Será que as pessoas, quando se vão, sabem da falta que fazem? 

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