terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Essa nossa vida que é também a dos outros, Antônio Prata e amores platônicos

Uma das milhares de particularidades que vieram com a internet foi a perda da sensação de que se está sozinho no mundo. Não digo na solidão, sem mulher, homem, filhos, cachorro ou algo assim. Mas naquelas dúvidas e momentos que a gente achava que eram só nossos.

Assim, não foi bem a internet que trouxe isso, é verdade. Mas ela maximizou pro mundo problemas tão locais, curiosidades que pareciam tão precisamente ligadas ao mundinho particular de cada um de nós. E eu, sabendo disso tudo, compreendendo que não sou só eu que fico de cócoras no ar pra fazer xixi em banheiro público ou que almoçava em bolinhos de feijão-arroz-farofa quando criança, ainda me espanto quando descubro alguém roubando uma vivência minha.

Estava eu, linda (nem tanto), lendo o livro novo de Antônio Prata, que eu já amava desde que ele (e eu também) era pequeno simplesmente por ser filho (e protagonista de umas das minhas adoradas crônicas) do Mário Prata e me deparo com a descrição da meia que vai descendo do calcanhar até parar de envolver o pé por completo já dentro do sapato. Causando, enquanto isso, um machucão do atrito do tênis com a perna e a tentativa, inútil, de andar com o pé estirado pra ver se a meia se segura por algum tempo mais. Quantas vezes eu passei por isso! Quantos momentos mais eu compartilho, sem saber, com outras pessoas? A gente faz parte de um clube e não sabe.

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Ainda no assunto Antonio Prata, tava eu lendo uma dedicatória fofa que Gregório Duvivier fez pra ele em sua coluna e muito me identificando também, naquilo de ser amiga platônica de alguém. Não do Antônio Prata. Assim... também, talvez. Sabe quando a gente gosta tanto de alguém distante assim, desses da lista de idolatrados, ou até daquela turma da sala que faz o mero fato de existir parecer ser o máximo, que chega a pensar “Eu acho que ele ia gostar de me conhecer. A gente pensa igual. Se me ouvissem contando uma história, aposto que todo mundo ia rir e formaríamos parcerias incríveis”. Sou eu. Amando platonicamente as pessoas. Quase todas elas.

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Eu amo platonicamente tanta gente que tem nem graça. E não sei bem se quero sair do plano hipotético, talvez a decepção de dar tudo errado seria muito grande pro meu coraçãozinho iludido.  Vai que era tudo um grande engano melhorado pela imaginação? Melhor não. Melhor amar assim, de longe. E assim eu sigo amando até o carteiro, que aos meus olhos carrega histórias e amores, e nunca contas a pagar. 

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