O CineClube mudou temporariamente
de nome para CineDureza. Tamo numa leva de filmes que passam bem longe de deixar
qualquer pessoa que os assiste confortável. Misérias da vida são ruins de viver
e presenciar no dia a dia, e a gente ainda inventa de assisti-las na ficção (que
mais parece realidade), tudo no conforto do sofá, comendo M&M de amendoim.
Vinhas da ira foi o escolhido da vez. Uma espécie de Morte e Vida Severina, só que lá nos Estados Unidos,
décadas e décadas atrás. Uma família de retirantes, não da seca nordestina, mas
bem que podia ser, sai de Oklahoma rumo a uma Califórnia promissora, depois de
ser expulsa das terras arrendadas que viveu por toda a vida. Tem filme que é
assim, que a gente começa na infelicidade com os personagens e vai seguindo
pelas duas longas horas e perdendo as esperanças, junto com eles, até estar
vivendo naquela miséria toda e desesperado pedindo de joelhos por um final
feliz.
E é difícil vir um final desses.
Quase impossível. Porque pra ser realista, mas realista mesmo, a gente sabe que
é tipo a vida Severina de João Cabral de Melo Neto, é escapar de uma morte pra se deparar com outra. Não tem muito pra onde ir. São vidas e mais vidas que se
encontram na miséria e que continuam andando, porque não dá pra desistir. No
trajeto, numas das paradas do meio do caminho, uns coadjuvantes de posto de
gasolina comentam que eles não podem ser seres humanos, porque seres humanos
não viveriam naquelas condições. Mas nem tudo na vida é feito através de
escolhas.
O personagem de Henry Fonda, Tom
Joad, tenta segurar a família nessa empreitada e compreender não só a situação
que estão vivendo, mas como solucionar, como sobreviver àquilo. Fiquei mais
dividida entre a perfeição do seu personagem, da mãe ou do ex-pastor Casy, que
saiu da vida eclesiástica por não saber de todas as respostas e precisar
compreender mais da vida. Várias vezes ele passa uma ideia de um gênio filosófico
e um doidinho que parece não saber o que está fazendo. Talvez sejam duas faces
de uma mesma moeda.
Ando descobrindo que tô
desacostumada com filmes que me surpreendam no desenvolvimento do enredo.
Desses que as tramas fujam do lugar comum e deixem a pessoa numa ansiedade, sem
saber o que vai acontecer, se vai dar tudo certo, tudo errado ou o que diabos é
para se esperar. Não sei se é um sinal de que muitos filmes hoje em dia estão
ficando repetitivos ou se os de antigamente é que sabiam ter algum tipo de
originalidade (ou se é apenas porque estou filtrando bons filmes). Sei que eu
não esperava a evolução desse, muito menos aonde conseguiu chegar. E eu gostei.
Final feliz ou não feliz, eu realmente gostei.
Nome original: The Grapes of Wrath
De 1940
Diretor: John Ford
Baseado no livro de John Steinbeck,
roteiro de Nunnaly Johnson
Com: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine
IMDB diz que é drama. Eu digo que é depressão, dureza pura.
Quote: “I wouldn't pray just for a old
man that's dead, 'cause he's all right. If I was to pray, I'd pray for folks
that's alive and don't know which way to turn”.
Quote2: “You and me got sense. Them Okies got
no sense and no feeling. They ain't human. Human being wouldn't live the way
they do. Human being couldn't stand to be so miserable”.
Quote3: “Maybe there ain't no sin and there
ain't no virtue, they's just what people does. Some things folks do is nice and
some ain't so nice, and that's all any man's got a right to say”.
Quote4: “I been thinking about us, too, about
our people living like pigs and good rich land layin' fallow. Or maybe one guy
with a million acres and a hundred thousand farmers starvin'. And I been
wonderin' if all our folks got together and yelled...”
Quote5: “Rich fellas come up an' they die, an'
their kids ain't no good an' they die out. But we keep a'comin'. We're the
people that live. They can't wipe us out; they can't lick us. We'll go
on forever, Pa, 'cause we're the people”.
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