quinta-feira, 8 de maio de 2014

Projeto Zelig - Aquecendo no CineClube ou quando assisti a Ben Hur pela primeira vez

Sempre achei super sem graça um filme que vejo críticas ou-oito-ou-oitenta a respeito, que é aquele Matadores de velhinha dos irmãos Coen, com Tom Hanks no elenco. Tentei assistir a ele todo, mas não consegui (quem sabe ele não aparece mais na frente nessa empreitada?), vi pedaços e não deu pra mim. Nem sabia que era uma refilmagem de um britânico, até ter sido apresentada nesse CineClube que acabamos criando e entrando, meu tio e eu. A versão original, chamada de Quinteto da Morte, é bem divertida e parece fazer bem mais sentido a ambientação e toda a ingleszice da coisa. O humor negro, a história mais arrumadinha de um grupo de ladrões que usam desavisadamente uma senhôra correta para roubar um banco, fingindo que não passam de um quinteto musical. Até o humor que poderia ser pastelão ao extremo em qualquer outro filme americano funciona bem aqui, pelo menos para o meu tipo de risada. Mas é leso, que nem eu. Comédia não é pra todo mundo, isso é uma certeza cada vez maior que tenho a cada dia.

Nome original: The Ladykillers
De 1955
IMDB diz que é comédia/crime. Eu digo que é uma comédia simples britânica.
Com: Alec Guiness, Peter Sellers, Herbert Lom
Diretor: Alexander Mackendrick
Roteiro: Wiliam Rose


Ao falar em filmes britânicos que não precisavam ser refilmados, acabamos embarcando pra um que eu já tinha assistido antes, mas meu tio só teve acesso à vergonhosa e catastrófica versão americana: Morte no Funeral. Novamente eu vejo aquele padrão de humor inglês que faz de uma situação banal algo hilário, ao misturar uma boa dose de humor negro e situações estapafúrdias que conseguem dar completamente certo nele. Eu me lembro de ter rido horrores quando assisti da primeira vez, e ri novamente ao rever, especialmente porque é um basicão sem excessos. Por mais que possa não parecer compreensível para muitos, meu tio comentou comigo algo que compartilho, situações péssimas, tipo um funeral, por vezes carregam em si um ar de comicidade natural. É como se a linha entre o choro e o riso fosse tão tênue que é possível enxergar o humor até quando enterramos um ente querido. Talvez eu esteja reinando no politicamente incorreto dizendo isso, mas nem só de lágrimas foram marcados os enterros que já fui. Enfim, foi nesse filme que primeiro fui apresentada a Peter Dinklage, totals popular hoje em dia em Game of Thrones, então posso dar uma de hipster e dizer que já conhecia Tyrion before he was mainstream, haha.   

Nome original: Death at a Funeral (2007)
Com: Peter Dinklage, Mathew Macfadyen, Alan Tudyk
Diretor: Frank Oz
Roteiro: Dean Craig
IMDB coloca como comédia. Eu, como comédia-britânica com altas doses de humor negro
Quote: "Would you like a cup of tea, Sandra?" "Tea can do many things, Jane, but it can't bring back the dead.


E eis que na chegada de um novo membro ao cineclube, estreio meu primeiro grande clássico não visto, Ben-Hur. Eu não sei se a gente assistiu com a propriedade devida, mas eu não rejeitaria essa assistida nunca na minha vida. Começamos o filme já encharcados nas blasfêmias e nos adentrando no politico-religiosamente incorreto. Eu não sabia de jeito algum da história do filme e mal sei a parte bíblica da coisa. Entendi que era uma espécie de A Vida de Brian, de Monty Python, em que o personagem principal era conterrâneo de Jesus e as histórias se passavam paralelamente, com direito a algumas interações. Só que Ben-Hur não é humor, mas épico, né? Não ser humor é relativo, porque quando estão num mesmo cômodo três hereges, é inevitável não cair no frouxo de risos. E caímos bastante. Achei um bom filme, com suas quase-quatro longas horas de exibição (com direito a intervalo pra o xixi e refil de pipoca) e que espanta pela grandiosidade do feito tanto tempo atrás. Rola umas cenas de maquete (de piscina, disse meu irmão) no alto mar, umas religiosidades que se intensificam mais pro fim, as quais eu dispensaria, mas A cena da corrida de bigas é de maravilhar uma pessoa. Toda ela. Toda a história de Ben-Hur que faz a gente chegar àquele momento, na verdade, é muito boa. É um bom filme de vingança/volta por cima. Dei valor. Dei valor também pra o alto grau de homossexualidade que existe do começo ao fim do filme. Meu tio disse que as pessoas a tem como velada, mas pra mim aquilo é escancarado, viu? Num deu 5 minutos de filme e eu perguntei se era um romance gay. Bem, é isso, um a menos para a minha lista de pendências. Um a mais para o meu-eu mais sabido.  

Informações extras:
Nome original é Ben Hur
De 1959
IMDB diz que é aventura/drama. Eu digo: épico bíblico gay com uma boa trama de vingança.
Com: Charlton Heston, Jack Hawkins
Diretor: William Wyler
Baseado num livro de Lew Wallace, Roteiro de Karl Tunberg.
Quote: "There's this wild man in the desert named John who drowns people in water".

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