Permaneço em constantes idas e
vindas de desespero por não conseguir ter tempo de assistir a todos os filmes
em cartaz, aos que já saíram há muito dos cinemas e, principalmente, àqueles lá
atrás da minha vida que são, e também não são, clássicos incontestes e
indispensáveis à vida de qualquer amante de filmes. Uma vez li um artigo que
dizia não ser possível conhecer todos os lugares a serem visitados no mundo,
ler todos os livros e grandes obras literárias, assistir a todos os filmes e
terminar cada temporada das imperdíveis séries aclamadas pela crítica e pelo
público. O autor do texto falava não haver tempo, em vida, para se gastar com
tudo o que nos mandam e nos cobram para fazer. Pra não nos precipitarmos e
aprendermos a diminuir as exigências que fazemos a nós mesmos.
Para pessoas desorganizadas como
eu, há o terrível inimigo que é a falta de planejamento para alcançar, ao menos
em grande parte, todos os belíssimos feitos da humanidade e desse mundo enorme
e desconhecido. Pior que isso talvez só a minha eterna preguiça e grande
frescura em esperar “o momento certo” ou a precisa vontade para deixar de ser essa
pessoa tão... pra trás de todo o mundo conhecedor de tudo.
Decidi me dar uma oportunidade de
corrigir esse erro. Vou começar uma das minhas maiores maratonas – e talvez a
mais demorada, por conta do tempo que me parece cada vez mais curto – e
começarei a voltar para o passado das obras cinematográficas. Esse projeto Zelig é uma variedade daquele filme Julie e Julia, só que sem a cozinha e com o cinema. Minha intenção
inicial era/é utilizar uma ferramenta bastante imparcial em termos de escolha
do que assistir, que é um calendário com 365 dias de “melhores filmes de todos
os tempos”, que ganhei anos e anos atrás. Preciso só achar. Enquanto isso,
aproveito o “cineclube” que tô fazendo com meu tio e uno o útil ao agradável
para essa missão.
É bom ressaltar, de pronto, que
estou atrasada vergonhosamente em muitos filmes tidos como obrigatórios nessa
vida, então, rejeito julgamentos. É a vida, cada um vai atrás do que pode,
quando pode. Até porque, tô fazendo isso pelo prazer de ser apresentada a
coisas boas (e ruins, aposto) e pela necessidade que tenho de estar por dentro
de todas as referências do mundo do entretenimento, e não pra sair falando que assisti e
sou fera por isso.
Como que num alinhamento perfeito
com minha vontade de iniciar essa jornada e a oportunidade criada com meu tio,
veio a necessária força motora da coragem: meu primeiro filme da lista, Zelig (daí o título).
Eu, que adoro Woody Allen, jamais que tinha ouvido falar nesse documentário
fake que ele fez lá pra trás, em preto e branco, bem realista, alternando entre
o hilário e o genial. Na verdade, alternando não, essas duas características se
complementam nesse filme. A história é a de Zelig, um homem que levou a sua
insegurança às últimas consequências e, privado de identidade própria, passou a
adquirir personalidades diversas de acordo com quem estivesse tratando. Entrando
num leve spoiler inofensivo do filme, para justificar o motivo perfeito de ele ter
me ajudado a estar nessa empreitada, me sinto, então, decidida a não cair nas
armadilhas da vergonha pelo simples fato de “nunca ter lido Moby Dick”. Vamo
que vamo, tô animada para o que virá.
Informações extras:
Nome original é Zelig mesmo.
De 1983
Roteiro e direção de Woody Allen
Estrelando Woody Allen com cabelos e uma Mia Farrow novinha (ironias do destino, vi os dois juntos pela primeira vez no mesmo ano em que descobri as amarguras em que vivem atualmente)
IMDB diz que é documentário/fantasia. Eu digo que é isso E uma comédia.
Quote: "The Ku Klux Klan, who saw Zelig as a Jew, that could turn himself into a Negro and an Indian, saw him as a triple threat".
Informações extras:
Nome original é Zelig mesmo.
De 1983
Roteiro e direção de Woody Allen
Estrelando Woody Allen com cabelos e uma Mia Farrow novinha (ironias do destino, vi os dois juntos pela primeira vez no mesmo ano em que descobri as amarguras em que vivem atualmente)
IMDB diz que é documentário/fantasia. Eu digo que é isso E uma comédia.
Quote: "The Ku Klux Klan, who saw Zelig as a Jew, that could turn himself into a Negro and an Indian, saw him as a triple threat".
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