sexta-feira, 25 de abril de 2014

Projeto Zelig - Introdução

Permaneço em constantes idas e vindas de desespero por não conseguir ter tempo de assistir a todos os filmes em cartaz, aos que já saíram há muito dos cinemas e, principalmente, àqueles lá atrás da minha vida que são, e também não são, clássicos incontestes e indispensáveis à vida de qualquer amante de filmes. Uma vez li um artigo que dizia não ser possível conhecer todos os lugares a serem visitados no mundo, ler todos os livros e grandes obras literárias, assistir a todos os filmes e terminar cada temporada das imperdíveis séries aclamadas pela crítica e pelo público. O autor do texto falava não haver tempo, em vida, para se gastar com tudo o que nos mandam e nos cobram para fazer. Pra não nos precipitarmos e aprendermos a diminuir as exigências que fazemos a nós mesmos.

Para pessoas desorganizadas como eu, há o terrível inimigo que é a falta de planejamento para alcançar, ao menos em grande parte, todos os belíssimos feitos da humanidade e desse mundo enorme e desconhecido. Pior que isso talvez só a minha eterna preguiça e grande frescura em esperar “o momento certo” ou a precisa vontade para deixar de ser essa pessoa tão... pra trás de todo o mundo conhecedor de tudo.

Decidi me dar uma oportunidade de corrigir esse erro. Vou começar uma das minhas maiores maratonas – e talvez a mais demorada, por conta do tempo que me parece cada vez mais curto – e começarei a voltar para o passado das obras cinematográficas. Esse projeto Zelig é uma variedade daquele filme Julie e Julia, só que sem a cozinha e com o cinema. Minha intenção inicial era/é utilizar uma ferramenta bastante imparcial em termos de escolha do que assistir, que é um calendário com 365 dias de “melhores filmes de todos os tempos”, que ganhei anos e anos atrás. Preciso só achar. Enquanto isso, aproveito o “cineclube” que tô fazendo com meu tio e uno o útil ao agradável para essa missão.

É bom ressaltar, de pronto, que estou atrasada vergonhosamente em muitos filmes tidos como obrigatórios nessa vida, então, rejeito julgamentos. É a vida, cada um vai atrás do que pode, quando pode. Até porque, tô fazendo isso pelo prazer de ser apresentada a coisas boas (e ruins, aposto) e pela necessidade que tenho de estar por dentro de todas as referências do mundo do entretenimento, e não pra sair falando que assisti e sou fera por isso.    

Como que num alinhamento perfeito com minha vontade de iniciar essa jornada e a oportunidade criada com meu tio, veio a necessária força motora da coragem: meu primeiro filme da lista, Zelig (daí o título). Eu, que adoro Woody Allen, jamais que tinha ouvido falar nesse documentário fake que ele fez lá pra trás, em preto e branco, bem realista, alternando entre o hilário e o genial. Na verdade, alternando não, essas duas características se complementam nesse filme. A história é a de Zelig, um homem que levou a sua insegurança às últimas consequências e, privado de identidade própria, passou a adquirir personalidades diversas de acordo com quem estivesse tratando. Entrando num leve spoiler inofensivo do filme, para justificar o motivo perfeito de ele ter me ajudado a estar nessa empreitada, me sinto, então, decidida a não cair nas armadilhas da vergonha pelo simples fato de “nunca ter lido Moby Dick”. Vamo que vamo, tô animada para o que virá.


Informações extras:
Nome original é Zelig mesmo.
De 1983
Roteiro e direção de Woody Allen
Estrelando Woody Allen com cabelos e uma Mia Farrow novinha (ironias do destino, vi os dois juntos pela primeira vez no mesmo ano em que descobri as amarguras em que vivem atualmente)
IMDB diz que é documentário/fantasia. Eu digo que é isso E uma comédia.
Quote: "The Ku Klux Klan, who saw Zelig as a Jew, that could turn himself into a Negro and an Indian, saw him as a triple threat".

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